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17 de Outubro de 2017

Entenda a diferença entre Marketing Multinível e Pirâmide Financeira

Afinal, Marketing de Rede é Legal ou Ilegal? Com a palavra, o especialista.

Maykell Felipe Moreira, Advogado
há 5 meses

Entenda a diferena entre a Pirmide do Bem MMN e a Pirmide do Mau Esquema Financeiro


Já há algum tempo, como um confesso admirador do tema, venho sentido essa urgente necessidade de abordar a temática, e, também por isso, espero que todos, de algum modo, tirem proveito desse breve arrazoado, seja a titulo de conhecimento ou mesmo ampliando seu leque de opções de geração de renda e lucro.

Todos concordam em gênero, número e grau que, vivemos numa sociedade altamente consumista. O resultado disso é que, a cada dia novos negócios ganham espaço em nosso mercado, tendo em vista esse ancoramento financeiro no desejo humano de suprir as suas carências – emocionais, sociais, psíquicas e pessoais –, com o ato quase que vicioso de gastar o capital ganho em alguma coisa, seja comida, bebida, vestuário, entretenimento, beleza ou qualquer outro item que traga prazer imediato ao inconsciente.

Por isso, não me surpreende de modo algum que, praticamente a totalidade da sociedade, esteja direta ou indiretamente envolvida no Marketing de Rede. Querendo ou não, você já comprou algum gênero alimentício ou do segmento de cosmetologia, saúde e bem estar diretamente de um distribuidor independente ao invés de retirá-lo numa farmácia ou supermercado da sua cidade. Se eu estiver certo e a resposta for sim, você é um consumidor direto de uma empresa de vendas diretas, e, possivelmente do chamado Network Marketing, Marketing de Rede ou Marketing Multinível.

O Marketing de Rede não é nenhuma novidade, já existindo há vários anos, teve início com as chamadas vendas diretas no século passado e persiste até os dias atuais, aliás, o segmento se mostra cada vez mais uma saída eficaz para a geração de renda e riqueza para os que mergulham de cabeça e se profissionalizam nesta seara. Donald Trump há pouco tempo atrás, em um dos seus livros defendeu a eficiência desse segmento na produção de riquezas para o país, empresas, e profissionais envolvidos. Robert kiyosaki, outro badalado autor e palestrante, é um ferrenho admirador desse mercado, e mais recentemente, o nosso querido Silvio Santos passou a adotá-lo em sua empresa de vendas diretas que atua no segmento de beleza e bem estar. Tom Harv, Roberto Shinyashiki, Max Gehringer, Eric Worre, são apenas alguns dos incontáveis nomes que se renderam a esse mercado, este último, aliás, um dos maiores ícones desse novo mundo empresarial.

No referido mercado, uma peculiaridade faz toda a diferença – a não existência de uma linha operacional intermediária, ou seja, não existem atacadistas, varejistas, ou mesmo distribuidoras externas à relação, ao invés disso, os produtos são repassados diretamente da Fábrica para as mãos dos denominados distribuidores autônomos – também chamados de micro–franqueados. Com isso, corta-se um enorme custo com linha tributária empregatícia decorrente da contratação de empregados, impostos prediais decorrentes de estabelecimentos físicos, impostos sobre serviços decorrente da contratação de empresas intermediadoras, merchandising, propagandas, contribuições sociais e previdenciárias, e outros aditivos financeiros, possibilitando assim, que os associados comprem a mercadoria a um preço mais baixo, e, consequentemente, repassem aos consumidores produtos também por um preço mais acessível.

Esse corte de algumas fases operacionais, permite ainda que os consultores obtenham um lucro maior na revenda dos produtos, o que é justo, pois, além de venderem, funcionam como verdadeiros garotos–propaganda da sua organização. Recentemente, algumas pesquisas oficiais mostraram que, no Mercado Tradicional, apenas 1/3 do valor comercial do produto corresponde ao valor qualitativo da mercadoria, os outros 2/3 são decorrentes dos custos operacionais – contratação de terceiros, propagandas, impostos, folha salarial de empregados, etc –. Como no Marketing de Rede essa cadeia é cortada, as empresas logram uma economia muito grande, e por consequência, os consumidores recebem um produto final de excelente qualidade e por um preço também mais justo.

No Brasil, com a atual crise econômica e o alto índice de desemprego, cada vez mais as pessoas tem procurado empresas de Marketing de Rede para tentarem gerar uma renda complementar ou mesmo construir uma carreira profissional no negócio. Nos Estados Unidos, pesquisas apontam que mais de 27% do PIB advém do Network Marketing, sendo que 20% dos novos milionários tem saído desse mercado. No Brasil, o negócio ainda engatinha, sendo que menos de 1% do PIB advém desse segmento. Ademais, temos visto nos últimos anos, uma alavancagem muito grande desse mercado em nosso país, e, como dito antes, a válvula mestra impulsionadora desses números advém principalmente do fator crise e da necessidade de geração de renda paralela também advinda dessa mesma razão: alta inflação, desvalorização do salário, defasagem da moeda, diminuição dos postos de emprego, automação industrial, dentre outros. O problema é que, com a publicização desse mercado, muitas organizações criminosas tem se aproveitado dessa abertura para aplicarem golpes nos mais ingênuos e desinformados.

Com o crescimento do Marketing Multinível no Brasil, temos vivenciado uma verdadeira chuva das “Pirâmides Financeiras”, que aproveitando-se de algumas semelhanças com o Marketing de Rede, buscam se passar por empresas legítimas do referido segmento, e se intitulam organizações de MMN, todavia, sem o ser.

Recentemente, a Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça – Senacon/MJ –, lançou a 6ª edição do Boletim de Proteção ao Consumidor/Investidor, elaborado em parceria com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), onde o maior objetivo era mostrar para a sociedade as diferenças de funcionamento entre os Esquemas de Pirâmide Financeira e as Organizações de Marketing Multinível. A principal diferença entre elas é que na primeira não existe a 'venda ou consumo' de um produto real que efetivamente sustente o negócio, ou seja, a “comercialização ou consumo de produtos ou serviços” tem pouca importância para a sua manutenção, e, quando o tem (meramente como disfarce), não atraem o interesse social ou não tem um preço de mercado competitivo.

Assim, no Esquema de Pirâmides Financeiras, a principal fonte de renda é o exclusivo incentivo à adesão de novas pessoas ao negócio ou o disfarce com produtos superfaturados, o que faz com que seu crescimento não seja sustentável, gerando enormes prejuízos para os integrantes da base piramidal, situações em que sequer conseguem recuperar o investimento inicialmente feito.

O que precisa ficar bem claro é que, o que configura um 'Esquema de Pirâmide Financeira' não é o formato da estruturação, onde uma pessoa indica outra, formando uma rede de pessoas sobrepostas umas às outras, mas sim, quando esse tipo de formato tem o latente risco de prejuízo, haja vista a ausência de um produto concreto e que traga benefício às pessoas. Por exemplo, imagine que inauguremos uma empresa que trabalhe com MMN, onde para participar seja preciso investir R$ 10.000,00 e indicar outras pessoas que também façam investimentos financeiros. Agora se pergunte: Caso esse novo amigo não indique nenhuma pessoa, o que acontecerá? Simples, ele perderá todo o seu dinheiro, pois, o único benefício está no recrutamento desenfreado, e quando o sistema sobrecarregar, não tendo novos interessados no negócio, aquele que investiu por último, suportará as perdas. Agora imagine o legítimo Marketing Multinível, onde inauguremos uma empresa no qual o negócio seja sustentado com a venda de produtos de beleza e bem estar, e onde os associados, também possam recrutar novos distribuidores e ganhar comissões por isso. Digamos que esse novo distribuidor não indicou ou não queira indicar outros distribuidores, com isso, ele sofrerá prejuízo ou lesão? Obviamente que não, pois, poderá simplesmente revender os produtos e recuperar o seu investimento com uma margem de lucro. Se descobrir-se um péssimo vendedor, poderá ainda consumir os produtos juntamente com a família, pois, como trata-se de produtos de uso diário, ele certamente já necessitaria consumi-los de algum mercado.

Avalie da seguinte maneira, para ser legal é necessário a existência de um produto com 'preço de mercado competitivo' e que a 'atividade empresarial' envolvida tenha o potencial para gerar renda, economia ou lucro (ou seja, as pessoas tenham um benefício só por consumir ou vender os produtos, e que o recrutamento seja um "plus opcional" para aqueles que desejam alavancar uma carreira empresarial na sua organização, se tornando líderes de expansão da marca). Por isso, não basta que exista um produto, sendo preciso ainda que haja interesse social e consumerista por este produto. É preciso que o produto tenha preço competitivo de mercado. Algumas pirâmides, por exemplo, adotam um produto como máscara ou laranja para o seu negócio, mas note que ninguém ou quase ninguém vende ou consome efetivamente aquele produto, ou, quando não é isso, o produto até possui um certo interesse consumerista, todavia, apresenta-se superfaturado em relação ao mesmo pacote de produtos ou serviços vendidos no mercado tradicional.

Uma forma de identificar a fraude é verificar o preço do pacote de produtos ou serviços que a sua empresa oferece em relação ao mesmo pacote de produtos ou serviços vendidos no mercado tradicional. Havendo uma diferença conjunta muito gritante entre estes, tornando o pacote da sua empresa, um não-benefício em si próprio, claramente, esta empresa estará apenas usando o produto como uma espécie de laranja ou testa-de-ferro para camuflar uma pseudo-legalidade ao seu negócio.

A nosso ver, essa verificação será juridicamente legítima ainda que - individualmente considerados - alguns desses produtos tenham uma pequena diferença de valor à maior em face do mercado tradicional, isto porque, o que deve ser levado em conta é a totalidade do pacote de produtos ou serviços entregue pela empresa aos seus associados. Imagine que uma empresa de Marketing de Rede trabalhe com locação de veículos, e o preço da sua locação seja R$ 100,00, enquanto no mercado tradicional estaria em apenas R$ 80,00, todavia, a primeira fornece o veículo já com 10 litros de gasolina, seguro, e após 05 locações, o preço ainda reduz em 10%. Fora isso, o associado soma pontos para premiações e viagens, e se resolver indicar amigos, ainda poderá ganhar descontos e bônus em dinheiro. Conseguiu enxergar a questão do benefício total? Individualmente, a empresa tradicional pode aparentar ser melhor, mas no conjunto, a empresa de Marketing de Rede, mostrou-se muito mais benéfica e atrativa.

Ademais, para uma pessoa comum, não é tão simples assim a distinção entre uma empresa de Marketing Multinível Legal e uma empresa que pratica o Esquema de Pirâmide Financeira tentando se passar por MMN, por isso, o melhor mesmo é consultar um especialista no assunto, evitando ser mais uma vítima desses golpistas piramedeiros que tem se alastrado no Brasil e no mundo.

Doutro lado, no Marketing Multinível – cujo sistema é legal e juridicamente legítimo – também é possível que os consultores ganhem comissões por indicarem outros distribuidores para o negócio, de modo que, com as indicações formam redes de consumidores ou revendedores e são remunerados pela Organização de acordo com o consumo ou revenda dos membros da equipe construída. Esses consultores indicados passam por uma formação, acompanhamento, reuniões de desenvolvimento pessoal, aprendem a vender, adquirem experiência, passam a ensinar e a recrutar novos consumidores ou revendedores para as suas organizações, e assim também constroem suas redes de consumo e comercialização de produtos.

Observe que as comissões são calculadas pela circulação financeira dos produtos, e é daí que advém os ganhos da empresa para custeio do Plano de Negócios da sua organização. Quanto mais produtos consumidos ou vendidos pela equipe, maiores serão as comissões dos envolvidos e maior será o lucro da empresa. Qualquer envolvido pode formar a sua rede, inclusive, é possível que um novo indicado alcance um maior crescimento na carreira do que aquele que o indicou - patrocinador, tendo em vista a existência de alguns aspectos contratuais dispostos no próprio plano de negócios que incentivam isso, como por exemplo, a exigência de que para graduar na carreira, o patrocinador precise ajudar alguns downlines a se desenvolverem e atingirem outros níveis de crescimento na organização. Assim, não cresce apenas quem entrou primeiro ou quem recruta mais, mas sim quem melhor consegue cuidar, desenvolver e gerir pessoas.

No MMN legítimo é muito comum encontrarmos pessoas que começaram numa dada empresa há 05 anos mas cresceu muito pouco, e outras pessoas que começaram há 06 meses e já atingiram um crescimento explosivo.

É possível ainda que o associado opte apenas por “consumir e/ou revender os produtos”, sem que haja a obrigatoriedade de recrutamento de novas pessoas, pois, além dos benefícios já ditos, os associados costumam usufruir várias benesses como comprar alguns itens a preço de custo ou somar pontos para premiações ou viagens, o que torna o consumo em uma empresa de Marketing de Rede mais atrativo que no Mercado Tradicional.

Numa Pirâmide financeira, por sua vez, além de não existir um "benefício real” caso decida apenas consumir ou revender os produtos da empresa, os que entraram no início vão sempre ganhar mais que aqueles que entraram por último, pois, os dividendos são calculados apenas com base na especulação financeira de indicação de novos recrutados e não com base no consumo, na produção ou rendimento dos envolvidos, não havendo também linhas de corte nem cláusulas de barreira, possibilitando assim a “especulação ociosa” dos primeiros sobre os derradeiros.

Como dito, nos Esquemas de Pirâmides Financeiras, há uma diferença muito clara: não há um produto a ser consumido nem tão quanto revendido, nem que efetivamente seja utilizado pelas pessoas em suas casas, comércios, e cotidiano em geral. Não há como sobreviver no negócio apenas consumindo e/ou revendendo os supostos produtos, nem há essa opção de maneira real. Muitas vezes sequer existe um produto, e quando existe não passa de um “produto–fantasma”, ou seja, aquele que só existe no papel, pois, as pessoas não o usam, nem nunca o viram sendo útil de maneira ostensiva às pessoas.

Uma pergunta crucial para desmascarar um Esquema de Pirâmide Financeira que tenta se passar por MMN é o seguinte – faça a um dos integrantes desses esquemas fraudulentos a seguinte indagação: “nesse seu negócio, caso eu queira apenas consumir e/ou revender os seus produtos, eu estarei tendo algum ganho real com isso, seja de economia doméstica ou benefício agregado? Digamos que eu não queira cadastrar ou recrutar nenhuma pessoa, apenas queira ser um revendedor, ganhar com a venda e uso dos produtos, é possível? E se eu quiser apenas consumir, qual o benefício real e financeiro que terei? Você e os seus distribuidores efetivamente usam esse produto? Onde ficam as Franquias físicas da sua empresa? Indique–me pessoas que efetivamente usem este produto e que o tenham adquirido da sua empresa? Você o utiliza no seu dia a dia? Cheque–mate, o indivíduo não terá respostas concretas e coerentes para esses questionamentos, na melhor das situações, tentará criar respostas alternativas ou sair pela tangente, criando algumas justificativas.

Apesar de, hoje, existirem no mercado vários esquemas fraudulentos de pirâmides financeiras, também existem algumas empresas sérias, sólidas, e estruturadas, onde com Profissionalismo, Dedicação, e o Suporte correto é possível se construir rendas que muitos dos profissionais de outras áreas sequer sonhariam em atingir um dia com o mero trabalho registrado no mercado tradicional. Por fim, fica aí uma dica sustentável, sólida e rentável para aquelas pessoas que buscam um bom empreendimento, sem riscos, de baixo investimento e que vai lhe agregar e ajudar a desenvolver várias ferramentas potenciais de sucesso inclusive de perfeito uso em outras áreas.


FELIPE MOREIRA. Advogado e Consultor jurídico, Financeiro e de Negócios para empresas e equipes em Network Marketing. MBA em Gestão de Negócios e Marketing Empresarial. Possui vários artigos publicados em revistas de renome nacional. Proprietário da Página “Empreendedorismo – carreira dos sonhos” no facebook I Acesse em: facebook. Com/carreiradosonhos


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38 Comentários

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Muito útil e atual! continuar lendo

Grato pela leitura! ;) continuar lendo

Com certeza! Muita gente caindo no golpe da pirâmide, e muita gente deixando de enxergar um negócio excelente como o MMN devido ao preconceito a confusão que esses piramedeiros tem causado! Nos Estados Unidos e Portugal, e outros países o Marketing de Rede é fortíssimo! continuar lendo

Tava procurando algo a respeito faz tempo!
Pouco material! continuar lendo

Foi justamente o que notei, João!
Há pouco conteúdo sobre o tema! continuar lendo

Excelente! continuar lendo

Obrigado, Natália!
É um tema pouco explorado e em tempos de crise como estes, o conhecimento desse segmento pode ajudar muitas pessoas! ;) continuar lendo